Blog da Rede de Inovação no Setor Público

10 de ago de 2016

OS SERVIÇOS PÚBLICOS E A BANCA DE REVISTAS




A foto acima (tirada por mim) é de uma banca de revistas no Plano Piloto (Brasília/DF). Eu estava andando sem destino em um Domingo qualquer quando passei em frente a ela. Neste momento, meu pensamento imediato foi um só: “banca de revistas é um negócio que caminha para a extinção, correto? Uma banca de revistas que, para agravar o quadro, oferece serviços de Lan House, xerox, locação de DVD e plastificação de documentos merece o título mundial de shopping (ou museu?) do Século XX”. Hoje, ninguém mais tem dúvidas de que tudo caminha rapidamente para bem distante da Lan House (a Internet é cada vez mais móvel e individual do que fixa e coletiva), da xerox (a vida sem papel é sem volta), da locação de DVD (preciso lembrar do Netflix e seus concorrentes?) e da plastificação de documentos (todos os dias, estamos cada vez mais perto da digitalização completa da nossa identificação).

Passei a caminhada inteira e o dia de Domingo todinho com aquela imagem na cabeça. Na segunda-feira pela manhã, no caminho para o trabalho e quando achava que estava completamente livre daquele tenebroso conflito “Século XX versus Século XXI”, a ficha finalmente caiu: será que o cidadão, ao passar em frente a uma organização pública, não teria o mesmo tipo de “susto” que eu tive naquele Domingo? Sim, teria! Ops...teria, não! Tem!

A verdade é que, quando colocada principalmente diante deste novo cidadão conectado e cliente de empresas tão espetaculares quanto Amazon, AirBnB, Uber, Apple e Google, a administração pública é nada mais, nada menos que uma banca de revistas “vendendo” xerox e plastificação.


Reconhecer esta realidade – confesso! – me causa certa angústia, mas também me traz uma grande alegria em identificar um belo desafio para todos os servidores e parceiros públicos de bem! Temos muito trabalho a fazer (#fato!). Acredito demais que parte essencial desta “briga entre séculos” passa pelo tipo de cultura, de competências e de iniciativas que o INOVA promove: digitalização de serviços públicos, desburocratização de processos, design thinking no serviço público, arranjos institucionais inovadores, serviços públicos centrados no cidadão etc. São todas estas temáticas de que se ocupa o INOVA e em relação às quais existe um mundo de gente boa, ativa e bem-intencionada querendo construir pontes e cooperação para fazer da administração pública um pouco menos banca de revistas e um pouco mais... um pouco mais... o quê? Comenta aí!
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5 comentários:

  1. Belo post, Joelson - um dos aspectos que acho mais instigante é que podemos ser disruptivos em soluções inovadoras (para não termos de "evoluir uma banca de revistas até que ela vire a Amazon") e, ao mesmo tempo, devemos ter todo o cuidado com os efeitos que decorrem de mudanças bruscas ("sair da lavoura direto para a nave espacial"). Mas que dá pé, com certeza dá :)

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Boa reflexão Bruno, o desafio está dado! Seremos uma sofisticada banca de jornais ou uma plataforma mobile de serviços públicos integrados e on demand para realmente servir e facilitar a vida de todos nós cidadãos?

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  4. Boa reflexão Bruno, o desafio está dado! Seremos uma sofisticada banca de jornais ou uma plataforma mobile de serviços públicos integrados e on demand para realmente servir e facilitar a vida de todos nós cidadãos?

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  5. "cooperação para fazer da administração pública um pouco menos banca de revistas e um pouco mais... um pouco mais..."

    um pouco mais de facilitador de soluções públicas para os cidadãos! Pois, o que é que um consumidor procura hoje em empresas como a Apple, Uber etc., senão as facilidades inovadoras que as mesmas promovem?

    infelizmente temos muitos agentes públicos que entendem inovação como nova roupagem apenas, ou mesmo aqueles que bloqueiam o acesso do cidadão às instituições. Mas felizmente, temos outros que pensam diferente, fora da caixa burocrática e querem avançar, transformar!

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